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Roteiro da Semana

Filmes

Estréias

 

Por Miguel Barbieri Jr.

27.08.2008

 

BEZERRA DE MENEZES – O DIÁRIO DE UM ESPÍRITO, de Glauber Filho e Joe Pimentel (Brasil, 2008). O drama pretende traçar uma biografia do médico Bezerra de Menezes. Nascido no Ceará em 1831, ele passou lá sua infância e a adolescência. Transferiu-se para o Rio de Janeiro aos 18 anos, a fim de cursar medicina. Vereador e deputado, Bezerra defendeu idéias abolicionistas, trabalhou em prol dos desfavorecidos e ficou conhecido como o "médico dos pobres". Com Carlos Vereza, Caio Blat e Paulo Goulart Filho (75min). Censura e circuito a conferir. Estréia prometida para sexta (29). Clique e veja cenas.

CASTELAR E NELSON DANTAS NO PAÍS DOS GENERAIS, de Carlos Alberto Prates Correia (Brasil, 2007). O júri do Festival de Gramado foi injusto, no ano passado, ao premiar como melhor filme essa hermética fita do diretor mineiro em vez de consagrar Olho de Boi, também em cartaz na cidade, igualmente irregular, porém mais conciso. Trata-se de um documentário experimental, uma espécie de baú de memórias do cineasta, que causa, sobretudo, estranheza. Se para cinéfilos de carteirinha assinada e estudantes de cinema o filme pode provocar certo interesse, aos demais o efeito será nulo. Prates Correia presta uma homenagem ao cinema mineiro, desde o pioneirismo de Humberto Mauro (1897-1983) até trabalhos assinados por ele próprio, como Perdida (1976), Cabaret Mineiro (1980) e Noites do Sertão (1984). A colagem de imagens, todas muito bem restauradas, centra foco nas produções rodadas durante a ditadura militar trazendo à tona momentos simbólicos de, entre outros títulos, O Padre e a Moça, Macunaíma e Os Inconfidentes, todos de Joaquim Pedro de Andrade (73min). Censura e circuito a conferir. Estréia prometida para sexta (29).

OS DESAFINADOS, de Walter Lima Jr. (Brasil, 2008). Inspirado por personagens reais, o diretor de A Ostra e o Vento (1997) lança um olhar reverente à bossa nova. Não se trata, porém, de um drama que siga à risca os fatos. É apenas um singelo registro sobre os anos 60, década em que o gênero musical floresceu no Brasil e se abriu para o mundo. Na primeira parte do roteiro, ambientada em Nova York, Lima Jr. mostra-se craque ao abordar o assunto em situações críveis e deliciosamente saudosistas. A seqüência, desenrolada no Rio de Janeiro da repressão militar, caminha aos tropeços e se encerra de forma quase patética. Depois da morte da cantora Glória (Cláudia Abreu), o cineasta Dico (Selton Mello) decide entrevistar os colegas que conviveram com ela. A trama então volta ao passado para flagrar os instrumentistas Joaquim (Rodrigo Santoro), Davi (Ângelo Paes Leme), PC (André Moraes) e Geraldo (Jair Oliveira) que, descontentes com a carreira no Brasil de 1962, decidem tentar a sorte nos Estados Unidos. Instalado num hotel de Manhattan e acompanhado do amigo Dico, o quarteto aventura-se pela cidade atrás de oportunidades profissionais. Com Alessandra Negrini (131min). Censura e circuito a conferir. Estréia prometida para sexta (29). Clique e veja cenas.

O MISTÉRIO DO SAMBA, de Carolina Jabor e Lula Buarque de Hollanda (Brasil, 2008). Sócios da Conspiração Filmes, Carolina e Hollanda se uniram para um projeto interessante – levar às telas as curiosas histórias da Velha Guarda da Portela. O documentário também pretende mostrar o trabalho de Marisa Monte frente à extensa pesquisa musical feita para recuperar canções perdidas, posteriormente gravadas no CD Tudo Azul. Embora salpicada de depoimentos ternos, a fita se abre em várias direções. O problema maior está no roteiro à deriva que, pior, não chega a lugar nenhum. Nem mesmo os números musicais empolgam. Como entrevistadora, Marisa se mostra uma ótima cantora ao desperdiçar boas perguntas ao mestre Paulinho da Viola. Mas há Zeca Pagodinho, que canta e encanta com sua simpatia habitual (88min). Censura e circuito a conferir. Estréia prometida para sexta (29). Clique e veja cenas.

O NEVOEIRO, de Frank Darabont (The Mist, EUA, 2007). Frank Darabont tornou-se um especialista em Stephen King. Depois de realizar Um Sonho de Liberdade (1994) e À Espera de um Milagre (1999), boas adaptações de textos do escritor, o cineasta se supera com esse terror dramático de desfecho altamente perturbador e não menos radical. O miolo também alcança alta voltagem de tensão e suspense. Começa com uma tempestade seguida de uma misteriosa neblina. Acuado com um grupo de clientes num supermercado, o desenhista David Drayton (Thomas Jane) só pensa em proteger o pequeno filho. A solução de fechar as portas é tomada quando alguém chega de fora dizendo ter sido atacado pelo nevoeiro. A partir daí, Darabont engata uma surpresa na outra. Algumas digeríveis, outras repulsivas. Com Marcia Gay Harden (126min). Censura e circuito a conferir. Estréia prometida para sexta (29). Clique e veja cenas.

PELOS MEUS OLHOS, de Icíar Bollaín (Te Doy Mis Ojos, Espanha, 2003). A violência doméstica é o centro do drama espanhol. Na trama, Pilar (Laia Marull) foge de casa levando apenas o filho. Ela entra em pânico só de pensar que o marido (papel de Luis Tosar) pode procurá-la. Ao longo da história, acompanha-se como o casal foi do amor à discórdia. Com Candela Peña (103min). Censura e circuito a conferir. Estréia prometida para sexta (29). Clique e veja cenas.

O REINO PROIBIDO, de Rob Minkof (The Forbidden Kingdom, EUA, 2008). Esperava-se mais, muito mais, do primeiro encontro nas telas de Jackie Chan e Jet Li, grandes astros das artes marciais. A aventura não funciona em nenhum dos gêneros – é ridícula como comédia e fraquinha nas cenas de lutas. Quando ameaça satirizar a filosofice chinesa, se leva a sério. Muito do decepcionante resultado se deve ao roteiro de diálogos-clichês e à condução insossa do diretor de O Pequeno Stuart Little. Michael Angarano interpreta Jason Tripitikas, que mora em Boston e é fã declarado de kung fu. Na loja de penhores do velhinho Hop (Jackie Chan, sob uma horrenda maquiagem), o rapazinho descobre um bastão milenar. Após ser acuado por uma gangue de rua, Jason, sabe-se lá por quê, vai parar na China do passado e, de posse do cajado, precisa devolvê-lo a um guerreiro (Jet Li). Um viajante beberrão (novamente Chan) irá acompanhá-lo na jornada (113min). Censura e circuito a conferir. Estréia prometida para sexta (29). Clique e veja cenas.

O RETORNO, de Rodolfo Nanni (Brasil, 2007). Nanni, de 83 anos, retoma o mesmo percurso realizado em 1958 para fazer o documentário O Drama das Secas. Volta à região semi-árida do Nordeste para perceber que, cinqüenta anos depois, pouca coisa mudou. Os lavradores ainda sobrevivem de grãos, não conseguem comercializá-los e sentem os efeitos da falta de água (75min). Censura e circuito a conferir. Estréia prometida para sexta (29).

SHORTBUS, de John Cameron Mitchell (Shortbus, EUA, 2006). O diretor de Hedwig – Rock, Amor e Traição retorna com uma ousada comédia dramática. São vários personagens que se cruzam no clube underground do título. Lá, eles se abrem para falar de erotismo e intimidades. Entre os freqüentadores está Sofia (Sook-Yin Lee), terapeuta sexual que nunca teve um orgasmo. Com Paul Dawson (101min). 18 anos. Pré-estréia no Espaço Unibanco 1. Circuito a conferir. Estréia prometida para sexta (29). Clique e veja cenas.

TROVÃO TROPICAL, de Ben Stiller (Tropic Thunder, EUA/Alemanha, 2008). Ben Stiller já deu dezenas de provas de talento como ator. Na direção do hilariante Zoolander (2001), comprovou ter faro fino para a sátira. De volta atrás e à frente das câmeras para uma nova comédia, Stiller mira agora a paródia das fitas de ação. Ele e mais Robert Downey Jr. e Jack Black interpretam astros do cinema que participam de uma superprodução de guerra. Para dar mais realismo às cenas, o trio embarca para o Sudeste Asiático a fim de rodar alguns takes. Eles acreditam estar numa filmagem, mas o que está acontecendo ao redor deles é a pura verdade (107min). Censura e circuito a conferir. Estréia prometida para sexta (29). Clique e veja cenas.

U2 3D, de Catherine Owens e Mark Pellington (U2 3D, EUA, 2008). O primeiro show exibido nos cinemas em terceira dimensão foi o da cantora-e-atriz adolescente Miley Cyrus personificando Hannah Montana. Para um público bem mais amplo, chega agora a apresentação da superbanda U2. O grupo irlandês mostra-se afiadíssimo para exibir hits como Sunday Bloody Sunday, Beautiful Day e With or Without You. Além de takes no Estádio do Morumbi, em São Paulo, o registro da turnê Vertigo, entre 2005 e 2006, passa por cidades como Buenos Aires e Santiago, no Chile. Você que não é fã fervoroso de U2 deve estar se perguntando se vale a pena desembolsar no mínimo 20 reais pelo ingresso numa sala 3D. Ainda mais para ver praticamente o mesmo espetáculo exibido pela Rede Globo dois anos atrás. A resposta é sim. Bono arrepia ao menos em dois momentos – em Miss Sarajevo (sempre lembrada por seu dueto com Pavarotti) e em One, tendo no telão o memorável videoclipe dos búfalos (85min). Censura e circuito a conferir. Estréia prometida para sexta (29). Clique e veja cenas.


 
 
 
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