Por que quero voltar a ser prefeita
Fotos Nelso Toledo e Rogério Montenegro
Vista do complexo no Brás: investimento na recuperação dos balões e de peças antigas, como o lampião de 1872 (à dir.)
Ao longo da Avenida Rangel Pestana, no Brás, chamam atenção duas grandes estruturas metálicas circulares. Lá funcionaram os reservatórios da Companhia de Gás de São Paulo (Comgás) construídos em 1890 e 1908. Mesmo depois da desativação dessa sede da empresa, em 1972, os balões permaneceram no local. Até o início deste ano, porém, esses gigantes – o mais antigo tem 44 metros de diâmetro por 14 metros de altura e o mais novo, 42 de diâmetro por 28 de altura – estavam enferrujados e cheios de entulho. A situação começou a melhorar em 2006, quando a companhia, privatizada sete anos antes, aprovou o projeto de reforma do espaço de 24 000 metros quadrados. Foram investidos 38 milhões de reais na revitalização da área, reconhecida como patrimônio histórico da cidade. "Queríamos devolver a fisionomia original dos prédios", diz Luís Magnani, arquiteto responsável pelo restauro.
Fotos Rogerio Montenegro e Hugo Zanella/Acervo Instituto Moreira Salles
A estrutura metálica que sustentava o primeiro reservatório de gás e a foto das obras de uma ampliação feita em 1928: passado preservado
Concluída em fevereiro, a obra incluiu o lixamento dos ferros dos balões, a reconstrução de fachadas com tijolos de demolição e a recuperação de antigos equipamentos, como lampiões do fim do século XIX. Os edifícios são considerados ecologicamente corretos, ou seja, foram pensados de acordo com princípios sustentáveis. A água da chuva é captada e usada nas descargas, o esgoto passa por tratamento ali mesmo e o econômico sistema de co-geração produz parte da energia elétrica necessária para o funcionamento do local. Quem quiser conferir de perto as mudanças poderá se inscrever numa visita guiada pela exposição permanente Memória do Gás. Bem didático, o programa foi planejado para estudantes. Mas qualquer visitante sairá de lá com informações interessantes. É possível aprender, por exemplo, como era a produção do gás a partir do carvão (hoje se emprega apenas o gás natural), conhecer o mecanismo de distribuição do produto e ficar sabendo que um funcionário apelidado de vaga-lume cuidava da iluminação pública. Além de curtir um pouco do passado preservado dessa São Paulo que não existe mais.
Memória do Gás. Centro Operacional da Comgás. Rua Capitão Faustino Lima, 134, Brás. Quarta e sexta , 9h30 e 14h. Grátis. As visitas podem ser agendadas pelo
3333-5600, ramal 226, ou no site www.comgas.com.br.