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AÇÕES

Invasão imobiliária na Bovespa

07.11.2007

O setor de construção civil é responsável por 25% das captações de recursos na bolsa desde 2004. Mas o investidor deve ficar atento. Nem todas as companhias têm tido um desempenho impressionante

 

Por Cláudio Gradilone

Germano Luders

Sala de controle de operações do pregão eletrônico

Sala de controle de operações do pregão eletrônico: empresas imobiliárias levantaram quase 16 bilhões de reais


A Bolsa de Valores de São Paulo está em festa. Nunca tantos investidores compraram tantas ações de tantas empresas. Alguns números explicam bem a animação do mercado. Em 2004, ano em que a abertura de capital da empresa de cosméticos Natura inaugurou o momento de euforia, sete empresas captaram 4,4 bilhões de reais na Bovespa. De janeiro a outubro deste ano, 57 companhias captaram 43 bilhões de reais. Há vários motivos para tanto entusiasmo: o Brasil está crescendo mais depressa do que nos últimos anos, sem inflação; o emprego e a renda das pessoas vêm aumentando; os juros estão baixos; o dólar só cai; e os lucros das empresas têm sido exuberantes. Essa situação ajusta-se a um cenário internacional favorável. Com dinheiro no bolso e em busca de boas oportunidades, os investidores internacionais mostram-se ávidos compradores de ações brasileiras, o que acaba elevando os preços. Esse apetite externo gerou uma febre de lançamentos de ações das empresas imobiliárias brasileiras. "O setor tem sido um dos mais ativos no mercado internacional e era de esperar que parte dessa atividade se transferisse para cá", afirma Antonio Bento Mendonça Neto, vice-presidente responsável por finanças da consultoria internacional Solving.

Entre 2005 e 2007, 88 empresas lançaram ações em bolsa. Desse total, 24 eram construtoras, incorporadoras ou companhias que administram ou investem em shopping centers. Elas levantaram quase 16 bilhões de reais – 25% de todos os recursos captados na Bovespa desde 2004. Quase 70% dessas ações foram compradas por investidores internacionais. Bom para as empresas do setor, que se capitalizaram e puderam investir em mais empreendimentos. "Abrir o capital nos permitiu fazer mais obras e obter um crescimento rápido", diz Walter Lasemina, presidente da construtora Company, uma das primeiras a lançar ações. Essas vantagens, porém, não têm sido divididas com todos os investidores. Algumas ações de construtoras e incorporadoras apresentam um desempenho abaixo do da média do mercado. Uma pesquisa da empresa Economática, especializada em informações sobre companhias listadas em bolsa, mostra que o desempenho das 24 empresas do setor é irregular. Comparando-se a valorização das ações com o Índice Bovespa, a mais importante média do mercado acionário, notam-se lucros excepcionais e outros nem tanto.

Das 24 ações analisadas pela Economática, apenas sete obtiveram uma valorização superior à do Índice Bovespa. A ação com o melhor desempenho desde seu lançamento é a da Cyrella, que superou o índice em quase 180%. Na ponta do lápis, quem tivesse investido 100 reais nas ações da construtora em maio de 2005 teria hoje cerca de 816 reais. Já quem tivesse aplicado 100 reais nas ações da Brascan Residential Properties, que abriu seu capital há cerca de um ano, teria hoje pouco mais de 86 reais. "Como há uma grande oferta de empresas de construção na bolsa, todas elas competindo pelo capital do investidor, o risco aumenta", afirma Einar Rivero, sócio da Economática.

 
 
 
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