Todo dia, um novo prédio é lançado na cidade.
Construtoras entram na onda do ecologicamente correto.
Personalidades indicam o que há de melhor em seus bairros.
É possível financiar um imóvel em até trinta anos.
Agliberto Lima/AE
Casas de Alphaville: a média de lançamentos por mês cresceu 40% nos últimos dois anos
No fim dos anos 70, Alphaville, a 30 quilômetros do centro de São Paulo, representava uma alternativa e tanto para quem buscava morar com tranqüilidade e segurança. O projeto inicial, da empresa Albuquerque & Takaoka, previa a instalação de indústrias não poluidoras. Mas o cenário bucólico atraiu um sem-número de paulistanos. "O conceito de cidade planejada, com ocupação ordenada e total infra-estrutura, era uma inovação para a época", conta Marcelo Takaoka, filho do fundador do condomínio, Yojiro Takaoka. A procura por lotes foi tão grande que logo uma extensa gama de serviços se deslocou para lá. Na década de 90, no entanto, os constantes congestionamentos na Rodovia Castelo Branco afastaram novos interessados e expulsaram alguns dos moradores antigos.
Com a implantação das vias marginais pedagiadas na Castelo Branco, em 2001, e a inauguração do trecho oeste do Rodoanel, em 2002, boa parte dos problemas com o trânsito foi solucionada e as incorporadoras redescobriram Alphaville. Segundo dados da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp), de janeiro de 1985 a agosto de 2005 foram lançadas, em média, 28 unidades por mês. Já nos últimos dois anos esse número saltou para 39, um aumento de 40%. Hoje, calcula-se que Alphaville tenha uma população de 50 000 moradores. Outras 150 000 pessoas trabalham ali e residem em localidades próximas.
Fernando Moraes
Um dos estandes de venda: apartamentos de 155 e 196 metros quadrados
O atual foco das incorporadoras é exatamente essa população que trabalha na área do condomínio mas não vive ali, além de jovens que cresceram no local e agora buscam maior independência dos pais. Apesar de todo o apelo de Alphaville, os preços dos imóveis na região ainda são menores que em bairros valorizados da capital. Uma pesquisa realizada pela Lopes Consultoria e Intermediadora de Imóveis apurou que com 500.000 reais é possível comprar um apartamento de 170 metros quadrados ali. Em regiões como Jardins e Itaim, com o mesmo capital a área cai para 100 metros quadrados. Quem circula pelas ruas vê placas que anunciam lançamentos de diversos tamanhos, estilos e preços. A Camargo Correa Desenvolvimento Imobiliário, por exemplo, está implantando, em um terreno de 90.000 metros quadrados, quinze edifícios com apartamentos entre 100 e 270 metros quadrados. O destaque fica por conta das soluções de sustentabilidade, como estação de tratamento de esgotos, área de solo permeável e reúso da água da chuva. "Muitos dos nossos clientes sonham em morar numa cidade que tem vida própria e, acima de tudo, segurança", diz Maurício Barbosa, diretor de incorporação da Camargo Correa. O ecologicamente correto, aliás, parece estar em alta nas margens da Rodovia Castelo Branco. Com lançamento previsto para novembro, o M.O.R.E. – Movimento Residencial Ecológico –, com apartamentos de 155 e 196 metros quadrados, usará apenas madeira procedente de reflorestamento e a construção será feita preferencialmente com fornecedores que dispõem de certificação ambiental.
Na onda desse renascimento, dois grandes empreendimentos são aguardados: o Brascan Century Plaza e o Shopping Iguatemi. O primeiro ocupará um terreno de 45 000 metros quadrados com três torres (duas residenciais e uma de escritórios), cinqüenta lojas, cinco salas de cinema e uma academia de ginástica. Tudo isso cercado por um lago e uma área de 26 000 metros quadrados de preservação permanente. A ser erguido logo na entrada de Alphaville, o Iguatemi terá, além do centro de compras, uma torre corporativa da Odebrecht. "Consideramos que a grife Iguatemi se adequa ao perfil de Alphaville", afirma Carlos Jereissati Filho, presidente da Iguatemi Empresa de Shopping Centers. Serão 95 000 metros quadrados de área construída distribuídos em três pavimentos com 250 lojas, cinemas com assentos marcados e espaço para 2 000 vagas de estacionamento. Com projeto do escritório de arquitetura Botti e Rubin, o shopping também aposta no "selo verde". Vai utilizar materiais recicláveis e vidros laminados especiais com baixa absorção térmica e implantará o reúso de água para a irrigação dos jardins.
Perspectiva artística do futuro Shopping Iguatemi: 250 lojas e cinemas com assentos marcados