LANÇAMENTOS
O Butantã está com tudo
07.11.2007
Cheio de áreas verdes e grandes terrenos disponíveis, o bairro atraiu as incorporadoras e foi o que mais cresceu em 2006
Por Débora Pivotto
Fernando Moraes
Conjunto residencial em obras na Avenida General Mac Arthur: no ano passado foram lançadas 2 089 unidades no bairro
Quem passa pela Avenida Corifeu de Azevedo Marques, ao lado da Cidade Universitária, nota as torres cinzas de concreto que, aos poucos, passam a dominar a paisagem. Na Escola Politécnica, também na vizinhança da USP, uma seqüência de placas anuncia prédios que ainda nem saíram do chão. De acordo com dados da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp), o Butantã foi o bairro que mais cresceu em São Paulo no ano passado, com 2 089 unidades lançadas (veja quadro). Seus cerca de 13 quilômetros quadrados são formados por áreas com características bastante distintas. Na Avenida Jaguaré, por exemplo, os amplos terrenos e os galpões lembram um parque industrial. Entre a Avenida Vital Brasil e a Marginal Pinheiros, o ambiente tranqüilo é garantido pelo zoneamento, estritamente residencial. Já na movimentada Avenida do Rio Pequeno, onde estão 1 200 estabelecimentos comerciais, segundo a Associação Comercial de São Paulo, praticamente não sobrou espaço para casas. Dados do Atlas Municipal do Trabalho e Desenvolvimento mostram que os cerca de 52 000 moradores do Butantã têm renda per capita mensal de 1 200 reais.
Valeria Gonçalvez/AE
Cidade Universitária: 1,6 milhão de metros quadrados de área verde
O que vem atraindo a atenção do mercado imobiliário – além da quantidade de terrenos a preços acessíveis – é a abundância de áreas verdes. Só na Cidade Universitária são 1,6 milhão de metros quadrados de grama e árvores, por onde circulam diariamente cerca de 100 000 pessoas, entre alunos, professores e visitantes. O Instituto Butantan, famoso por sua coleção de cobras vivas, tem 690 000 metros quadrados de árvores e muita sombra. "Estimamos que 250 000 pessoas por ano freqüentem nosso parque só para lazer e para se exercitar", diz Otávio Azevedo Mercadante, diretor do instituto.
Sergio Tauhata
Sede do Instituto Butantan: cerca de 250 000 freqüentadores por ano no parque
"A área verde da USP é maior que a do Ibirapuera", costuma repetir a coordenadora de vendas Cristina Borges para quem visita o estande do Horizontes, conjunto residencial lançado pela construtora Setin. Na Avenida Escola Politécnica, os apartamentos entre 156 e 234 metros quadrados têm vista para as árvores da Cidade Universitária. Custam a partir de 520 000 reais. Além do terreno de quase 33 000 metros quadrados do lançamento, a Setin já investiu em outros dois na região. "Está nascendo uma nova Vila Nova Conceição", aposta, com certa dose de exagero, Antonio Setin, presidente da construtora. Muito verde foi também o motivo que fez da Vila São Francisco, no limite com Osasco, uma das áreas de maior crescimento do bairro. Ao lado do São Francisco Golf Club, a incorporadora Camargo Corrêa lançou o conjunto residencial Forte do Golf. A expectativa de faturamento com a comercialização das sete torres é de 120 milhões de reais. "Antes do início das obras, tínhamos vendido 90%", comemora o presidente da incorporadora, Roberto Perroni. Com preços entre 450 000 e 850 000 reais, 150 dos 297 apartamentos foram negociados logo no primeiro dia de vendas.
Outro fator que contribui para esse crescimento é a construção de duas novas estações de metrô. A Butantã, localizada na esquina da Avenida Vital Brasil com a Rua Pirajuçara, prometida para 2009; e a Vila Sônia, na esquina da Avenida Professor Francisco Morato com a Rua Heitor dos Prazeres, prevista para 2012. Depois de inauguradas, elas devem receber, respectivamente, 50 000 e 150 000 usuários por dia. "Com o metrô, a região tende a explodir porque a quantidade de empregos no entorno aumenta", afirma a arquiteta e urbanista Heloisa Proença, ex-presidente da Empresa Municipal de Urbanização (Emurb). "Nos próximos cinco anos o adensamento deve ser ainda maior."
Clayton de Souza
Futura estação de metrô Butantã: expectativa de 50 000 usuários por dia a partir de 2009
Todo esse crescimento assusta os moradores mais antigos. A comerciante Marion Lantenberg, que vive no bairro há trinta anos, teme que a região perca o clima tranqüilo. "Não adianta encher de prédios sem oferecer infra-estrutura", diz ela, que é presidente da Sociedade dos Moradores do Butantã/Cidade Universitária. O ar interiorano é o que mais encanta o cantor Nasi, ex-vocalista da banda Ira!. Na rua onde mora, um padeiro passa de bicicleta oferecendo pão. Na locadora, tem tratamento vip. Conhece os funcionários pelo nome e recebe ligações da proprietária quando algum filme novo chega à loja. "Sinto-me bem com esse jeitão de cidade pequena", conta. "Em São Paulo, para o meu padrão de vida, não tem lugar melhor."
Os dez bairros que mais cresceram...
(EM NÚMERO DE UNIDADES LANÇADAS)
1º Butantã 2089
2º Morumbi 1878
3º Tatuapé 1530
4º Vila Prudente 1034
5º Santo Amaro 980
6º Campo Belo 869
7º Vila Mariana 688
8º Campo Limpo 656
9º Vila Guilherme 623
10º Chácara Santo Antônio 616
...e os que não tiveram lançamentos em 2006
Água Branca
Água Funda
Anhangüera
Brás
Capela do Socorro
Heliópolis
Itaim Paulista
Jardim Peri
Pacaembu
Parque Novo Mundo
Parque Tomaz Edison
Perus
São Mateus
Sapopemba
Vila Galvão
Vila Jaguara
Vila Santa Catarina