As dicas da especialista em etiqueta Claudia Matarazzo para você sobreviver às festas de fim de ano e não dar bola fora
Deborah Lobo e Helena Albergaria em cena: Latão volta a Brecht
O CÍRCULO DE GIZ CAUCASIANO. A Companhia do Latão nasceu em 1997, tendo como santo padroeiro o dramaturgo alemão Bertolt Brecht (1898-1956). Além de inspirar o nome da trupe, o texto A Compra do Latão foi a base de sua bem-sucedida peça de estréia, Ensaios sobre o Latão. Quase uma década depois, o grupo retorna à obra de seu autor de cabeceira na montagem em cartaz no Sesc da Avenida Paulista. Escrito em 1945, o drama usa uma parábola sobre o amor materno para ilustrar a disputa de terras entre agricultores e criadores de cabra, os antigos donos da área, obrigados a abandoná-la durante a II Guerra. O diretor Sérgio de Carvalho privilegia a interpretação dos atores – quatro do elenco original e outros sete convidados. Em três horas de espetáculo, o que se vê é uma inteligente reflexão sobre a sociedade moderna, sustentada por uma cenografia simples e muito, muito criativa.
SHOW
Abujamra (de camisa vermelha) e sua banda: vale até dançar valsa
KARNAK. Em 2002, André Abujamra anunciou o fim do Karnak. Com quatro CDs gravados e um número razoável de admiradores fervorosos, o grupo, dado como morto, seguiu fazendo apresentações esporádicas na cidade. Neste ano, em maio, integrou a programação da Virada Cultural. Agora o cantor garante que sua banda amalucada de world music está mesmo viva – e promete disco novo para 2007. A atual fase e os quinze anos de estrada serão celebrados por dez membros originais (e alguns agregados) na quarta (20) e na quinta (21), no Sesc Pompéia. Batizado de Diamantes São Eternos, o show promete um clima de baile de debutante. "Vamos até dançar valsa no palco", adianta Abujamra, quase irreconhecível por ter perdido 60 quilos depois de uma cirurgia de redução do estômago. Além das antigonas O Mundo (gravada por Ney Matogrosso e Pedro Luís & A Parede), Alma Não Tem Cor e Ai, Ai, Ai, Ai, Ai, Ai, Ai, o roteiro traz a inédita Asprovasvêm.
EXPOSIÇÕES
A gravura Grande Fandango (no alto), do mexicano Posada, e duas pinturas recentes do goiano Siron Franco: em cartaz no Instituto Tomie Ohtake
JOSÉ GUADALUPE POSADA E SIRON FRANCO. Num ensaio sobre o gravador mexicano José Guadalupe Posada (1852-1913), o muralista Diego Rivera comparou seu compatriota ao espanhol Goya e ao francês Jacques Callot, ambos mestres da gravura. "Ele foi intérprete da dor, da alegria e da aspiração angustiante de um povo, no caso o mexicano", disse. A exemplo dos personagens grotescos e das cenas de guerra retratadas pelos dois exímios europeus, Posada também adotou temas e tipos de forma obsessiva nos mais de 15.000 trabalhos que realizou. No lote de cinqüenta zincografias – técnica baseada em pranchas de zinco e alumínio inventada por ele – que o Instituto Tomie Ohtake exibe até 11 de fevereiro, destacam-se a morte, simbolizada por mordazes caveiras, e as sátiras políticas. No mesmo endereço, o pintor goiano Siron Franco volta a expor depois de dez anos longe do circuito paulistano. Sua mostra reúne 35 telas apresentadas por vezes como dípticos. Distante do universo fantástico e da fonte realista, como a ditadura militar e a contaminação radiativa marcantes há duas décadas, o pintor flerta com a abstração num tom mais intimista. Outras dez pinturas suas estão em exposição na Galeria Nara Roesler.